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O enforcado que paga pela corda.

 
Fotografia de Vitor Gonçalves
O enforcado que paga pela corda.
por Vitor Gonçalves - Segunda, 24 Novembro 2008, 22:54
 
Boas, este topico nao é sobre a nossa universidade, mas sim um tema geral. Caso alguem ache este topico no lugar errado, então faça como tantos outros topicos,ignore ou se não, ralhe comigo. E desculpem-me por estar a encher a caixa de correio.

Estava eu a dias a acompanhar as noticias sobre o BPN, quando vi que o ex-administrador do BPN tinha se divorciado meses antes de sair este "escandalo". Quando eu começei a pensar para mim, porque é que sera que alguem ira se divorciar ao fim de 42 anos de casamento e abicar todo o seu patrimonio para a mulher?.Chegando eu a conjectura que era uma maneira de evitar que após este escândalo o estado viesse em cima do seu patrimonio.

Mas ninguem impede que a mulher (coof coof ex-mulher) lhe de uma boa vida, e que lhe deixe usufruir o seu patrimonio.
Se há casos onde se diz que é um casamento conveniente, este sera sem duvida um divorcio conveniente.
La fiquei supreso, mas dou o beneficio da duvida porque a minha conjectura posssivelmente esta errada.( o que é mais do que certo)

Num outro belo dia, estava eu a ver/ouvir o nosso "mui nobre" primeiro ministro a falar sobre o fundo imobiliario, em que sera uma ajuda para as pessoas com dificuldade para pagar os creditos imobiliarios. Melhor dizendo se eu tenho uma casa avaliada em 20000 euros( eu sei que estou a dizer um absurdo) e ja consegui pagar 5000 euros(em prestaçoes), mas devido a motivos financeiros não consegui pagar mais prestações, entao vou com o "amigo Estado" e usufro do fundo imobiliario, em que fico a pagar uma renda.
E quando voltar a minha estabilidade financeira o Estado "vende-me" a casa( ou sera revende).

Mas a porca torce o rabo é nesta questão. Sabendo que no mercado imobiliario,a maior parte das casas tem a tendência de serem valorizadas com o tempo, quando é que me custara essa venda do estado? A resposta é obvia e ainda bem que temos um Estado "amigo" do seu povo.Contudo fiquei supreso, mas outra vez, dei o beneficio da duvida. Ja que eu tenho a tendência para as teorias da conspiração.

Mas a historia do enforcado, começa em que por uma tecnicalidade, foi hoje revelada no Diário Económico uma grande perversidade inerente às garantias do Estado aos bancos que me deixou francamente boquiaberto. A sensação é mais ou menos como definiria o sargento de "Full Metal Jacket": "é como se alguém me tivesse enrabado de surpresa sem sequer me bater uma [censurado] de cortesia."

Cita o Diário Económico, Carlos Salgado, presidente do BES: "essa comissão adicional vai reflectir-se no custo do crédito aos clientes”.

Também Artur Santos Silva do BPI é citado como dizendo que o usufruto das garantias do estado irá "reflectir-se no custo para os consumidores de crédito”.


Onde reside então a perversidade? Vários bancos que negam estar em sarilhos (sofrem apenas de alguma falta de liquidez, o que raio é isso?( atenção ironia)) já pediram garantias ao estado e vão recebê-las. Obviamente o objectivo do Estado é obter lucro, pelo que os bancos terão de pagar o dinheiro de volta com juros.

Ora na prática os bancos admitem que não serão eles a pagar.

Quem paragará?

Os clientes, os milhares de clientes com a corda no pescoço por causa do crédito, depois de serem mugidos durante anos pela Euribor em subida constante, agora que esta taxa está a baixar a olhos visto, verão os seus créditos dar um salto de novo e estarão eles a pagar literalmente pelas opções administrativas dos bancos.


A perversidade então funciona em três fases:

1 - Primeiro, sob o pretexto de proteger os clientes, o Estado empresta aos bancos uma grande quantia de fundos que retira da principal fonte de rendimentos que tem: os impostos, a esmagadora maioria deles, de pessoas que têm algum tipo de crédito;

2 - Segundo, os brancos têm de pagar o dinheiro de volta ao Estado, mas em vez de o pagarem, cobram directamente aos clientes. Então os que supostamente estariam protegidos, passam a pagar empréstimos mais altos. Daqui resulta que estes "idiotas" do Zé Povinho na prática saíu-lhes do bolso o dinheiro que o estado empresta, e sai-lhes do bolso o dinheiro que o banco paga de volta: os "protegidos" estão a financiar os bancos duas vezes;

3 - Logo os bancos, por necessitarem ou não, acabam de receber do estado CENTENAS DE MILHÕES DE EUROS À BORLA! Com um belo estratagema, se um banco recebe 500 milhões de Euros, pode bem metê-los no bolso de uma off-shore, pois já determinaram que não serão os bancos em si a pagar, mas os clientes.


Lucro líquido, sem compromissos, e as famílias Portuguesas podem preparar-se para terem as tetas mugidas mais um bocadinho e reparem no brilhantismo da questão: dos vossos impostos saíu o dinheiro que agora vão ter de pagar aos bancos. Mas toda a gente tem de pagar impostos, senão as finanças batem à porta e levam-vos a mobília. Então resta tentar pagar os impostos mais o crédito subitamente aumentado, caso contrário, vem o banco tocar-vos à porta e leva-vos a mobília.

Isto já passou a perversidade: é imoral, é insultuoso, embora não seja inacreditável. Já se adivinhava. Cá o Zé Povinho está a comer chourição por trás e a beber leitinho pela frente: ao admitir que irão cobrar aos clientes o dinheiro que pediram emprestado ao estado, os bancos já não estão sequer a pensar em obter liquidez a partir de investimentos novos. Os bancos não esperam obter lucros com as garantias bancárias: as garantias SÃO o lucro.

Já se sabia que as instituições bancárias estavam simplesmente a reter o dinheiro oferecido pelos estados um pouco por todo o mundo, enquanto continuavam a estrangular os seus próprios devedores. Para os clientes, isto é o fuzilado pagar a bala.

E o pior de tudo é que a situação parece ser perfeitamente normal, louvável, inevitável e correcta!

Citando a pergunta de John Stewart há uns dias "mas porque raio não dar o dinheiro às pessoas que o devem aos bancos, visto que claramente são elas que estão em sarilhos? Porque dá-lo aos bancos que depois vão na mesma buscar as casas às pessoas?".





P.S.: Desculpem a falta de acentos, virgulas e todos outros tipos de erros gramaticais e ortográficos que possam existir.

P.S.(2): Caso alguma frase ou ideia choque alguem pelo seu "palavreado" é de notar que a frase tem o objectivo de chocar ou de dar impacto.
Agredecia que fosse motivo de distracção do principal topico/tema.

P.S.(3):Haja fé que nós portugueses ja estamos habituados a viver em crise, a nossa experiencia nesta materia não ira nos desiludir...ou não.

Fontes:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/1186595.html
Parte do topico e frases de Hiryu.
O resto: Teorias da conspiração da Josefina vol 1, escrito por um muito irritado "idiota do Zé Povinho".
TUMa
Re: O enforcado que paga pela corda.
por Sérgio Freitas - Quinta, 7 Janeiro 2016, 09:04
 

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